A professora Glória Werkhausen, de 43 anos, foi encontrada morta dentro de sua própria casa, após um incêndio em Constantina, no norte do Rio Grande do Sul, no dia 12 de julho.
A perícia confirmou que ela foi asfixiada por esganadura antes de as chamas serem ateadas, num movimento que a Polícia Civil classifica como tentativa deliberada de apagar os rastros do crime.
O caso é tratado formalmente como feminicídio, e o ex-marido da vítima, Márcio Oliveira dos Santos, está preso desde o dia 16 de julho.
A investigação está na reta final e a premeditação implícita na tentativa de ocultação reforça, para os investigadores, a gravidade do crime cometido contra a professora, que morava sozinha.
O suspeito e a defesa
O delegado Cristiano De Bone afirma que não há dúvidas sobre a autoria: o responsável pelo crime é Márcio Oliveira dos Santos, ex-marido de Glória.
Ele havia sido internado em um hospital na madrugada do dia 15 e, após receber alta, foi conduzido diretamente à Delegacia de Polícia de Constantina por agentes da Polícia Civil. No mesmo dia, equipes cumpriram diligências na residência do investigado. Durante o processo, Márcio colaborou com as investigações e forneceu senhas de celulares.
A defesa do investigado, no entanto, rejeita as acusações. De acord com o G1, ela “nega de forma veemente qualquer relação (do investigado) com a morte de sua ex-companheira” e afirma não ter tido acesso a nenhum elemento novo da investigação.
A irmã de Glória, Glaucia Werkhausen, declarou que a professora não havia relatado ameaças e que o casal não tinha histórico de violência nem medida protetiva registrada.
Legado de Glória Werkhausen
Mãe de dois filhos, Glória era descrita por familiares e amigas como uma profissional exemplar, carinhosa e inteiramente dedicada aos alunos.
“Amava a profissão dela. Tinha aquelas crianças como filhos, cuidava de todos”, disse a irmã Glaucia. Por um período, Glória atuou como diretora da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Primeiros Passos, onde era lembrada pelo cuidado com crianças e famílias.
“O sorriso dela, a força e a vontade de viver eram marcantes. Era uma profissional exemplar, muito carinhosa e comprometida com o trabalho. Era uma pessoa incrível, amiga de todos, sempre sorridente”. A frase é da amiga Alexandra Rissoto e resume a comoção que tomou Constantina após a morte da professora.
