Patrícia Alves Duque, mãe de Heloísa Rodrigues, foi intimada e prestará depoimento nos próximos dias. A informação foi divulgada, nesta quarta-feira (29), pela defesa da jovem.
Heloísa, hoje com 28 anos, biomédica e estudante de Ciências Econômicas, denuncia ter sofrido anos de agressões físicas e abusos sexuais praticados pela mãe durante a infância em São Paulo. Ela busca na Justiça a chamada desfiliação materna, processo que retira o nome da mãe de sua certidão de nascimento.
A defesa de Heloísa confirmou ao G1 que Patrícia foi intimada. A movimentação ocorreu após o veículo publicar que a mãe ainda não havia sido localizada para responder às denúncias registradas pela filha.
Em março de 2025, Heloísa foi ao 46º Distrito Policial para relatar crimes cometidos pela mãe durante o período em que moravam juntas. No boletim de ocorrência (BO), ela alegou que Patrícia a agredia fisicamente com vassouras e cacos de vidro e a obrigava a manter relações sexuais com diferentes homens em troca de dinheiro, incluindo o chefe da própria mãe à época.
De acordo com relato da jovem, os abusos ocorreram semanalmente por muitos anos. No dia seguinte ao registro, Heloísa procurou uma delegacia especializada para relatar também que estava sofrendo perseguição por parte da genitora.
Processo judicial e busca pela desfiliação
Heloísa tenta na Justiça, desde 2024, que o nome da mãe seja retirado de sua certidão de nascimento, procedimento conhecido como desfiliação.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o inquérito foi relatado ao Poder Judiciário em dezembro de 2025, retornou para diligências complementares e foi novamente encaminhado à Justiça em junho deste ano.
A demora no andamento levou a advogada de Heloísa, Andrea Galliza, a apontar “inércia” que travava a investigação criminal.
Medidas protetivas e dificuldade de localização
Após o registro das denúncias, a Justiça concedeu medida protetiva a Heloísa, determinando que Patrícia mantivesse distância mínima de 200 metros da filha, com proibição de frequentar seu local de trabalho, estudo ou igreja e de estabelecer qualquer forma de contato, incluindo telefonemas, mensagens e redes sociais.
Localizar Patrícia, no entanto, levou meses. A primeira tentativa de intimação, em 2 de abril de 2025, fracassou quando um oficial de justiça foi ao endereço fornecido e a avó de Heloísa informou que Patrícia havia se mudado para local desconhecido.
Em julho de 2025, quase quatro meses após a denúncia, a Justiça determinou que o Ministério Público (MP) utilizasse sistemas de inteligência como o “Pandora” e o “CAEX” para varrer bancos de dados em busca de novos endereços.
Somente em dezembro de 2025 essas pesquisas localizaram um endereço inédito no bairro Anhanguera, em São Paulo. Em janeiro de 2026, o juiz Felipe Pombo Rodriguez determinou diligência urgente, autorizando buscas em horários alternados e fins de semana, além da chamada “intimação por hora certa”, mecanismo previsto para casos em que há suspeita de que a pessoa esteja se ocultando.
