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domingo, 23 de dezembro de 2018

Fotógrafo paraibano viaja 5.000 km de João Pessoa até a Bolívia registrando viagem em fotos

Nem todos que vagueiam estão perdidos. A história de vida do fotógrafo Rizemberg Felipe é a prova de que a frase de J.R.R. Tolkien, escritor sul-africano autor de O Senhor dos Anéis, não se aplica somente aos povos da terra média de sua literatura. O paraibano natural de Sapé, cidade localizada a 42 km de João Pessoa, se encontrou justamente quando decidiu rodar a América do Sul em sua Kombi, a quem chama carinhosamente de Luciana, e uma câmera.

Após o fechamento do jornal onde trabalhava como repórter fotográfico, Rizemberg Felipe decidiu pegar o dinheiro e investir no próprio sonho. Comprou uma Kombi, planejou a viagem e caiu na estrada. As primeiras viagens foram feitas em território nacional. Visitou amigos em outros estados.

“Fui atrás dos meus amigos em cada canto do Brasil que eu passava, então fiquei três dias em Itabaiana, em Sergipe, mais três em Teixeira de Freitas na Bahia, um em Salvador. Tive problemas mecânicos em Minas Gerais, por isso fiquei um dia em Teófilo Otoni”, comentou. Após sair de Minas, Rizemberg finalmente chegou à Bolívia, seu destino original.

Após deixar sua casa, no dia 9 de novembro, os desvios das rotas pelos amigos atrasaram o plano inicial que era viajar cerca de 5.000 km entre João Pessoa, onde mora, até Copacabana na Bolívia, cidade às margens do lago Titica, e retornar à capital paraibana no dia 5 de dezembro. Somente na quinta-feira (6), Rizemberg chegou ao seu destino planejado.

Mas nem somente os desvios atrasaram o fotógrafo paraibano. Sua Luciana deu muito trabalho para conduzi-lo até o lago Titica. Foram pelo menos três problemas mecânicos no trajeto que obrigaram Rizemberg a procurar oficinas por onde passava.

“Também tive problemas mecânicos depois de chegar na Bolívia, fiquei cinco dias em Santa Cruz de la Sierra e quando cheguei perto de La Paz também voltei a ter, então entre diversão e contratempos estou há mais de um mês na estrada, saí de João Pessoa dia 9 de novembro”, explicou.

Sonho de se encontrar

Desde que era criança em Sapé, Rizemberg lembra que não se contentava com os limites que suas condições impunham. “Nunca fui peixe de aquário, quando morava em Sapé sempre queria saber o que tinha nas serras que conduzia meu olhar a Guarabira [cidade vizinha]. Sempre quis a lua, sou meio que astronauta da Terra, e vi na Kombi a forma mais viável de ir além das fronteiras”, confessa.

O sonho só viria se tornar realidade após um dia traumático para o fotógrafo. O fechamento do jornal onde trabalhava como repórter fotográfico permitiu que ele recebesse dinheiro suficiente para comprar a Kombi, a Apollo 13 do astronauta da Terra. “O jornal tornou, sem querer, esse sonho possível. Quando o jornal fechou comprei a Kombi e comecei tudo”, comentou.

Antes de ficar sem emprego, Rizemberg havia aproveitado a profissão para contemplar o desejo de conhecer outros lugares, novas culturas, outras formas de viver. A primeira viagem internacional foi justamente para a Bolívia, depois vieram Peru, Argentina, Estados Unidos, Índia, Nepal e Cuba.

Sociedade desfeita antes da jornada

Rizemberg Felipe lembra que a viagem havia sido combinada com outros amigos que partilhavam do mesmo sonho de mochilar, rodar a América do Sul juntos, com recursos contados e muita disposição de aprender com o que a experiência podia ensinar. A primeira ideia era uma espécie de “sociedade da câmera”, que depois se tornou em um grupo de amigos da área de comunicação. No fim das contas, o fotógrafo se lançou nas estradas sozinho.

“A ideia original era eu e mais quatro fotógrafos, mas não puderam. Então montei outra equipe com jornalistas e publicitários, mas também não deu certo. Foi aí vi que essa viagem era muito minha, e vim só”, relatou Rizemberg.

Como quem carrega um fardo sozinho, ou quase, na companhia de sua Kombi Luciana, o fotógrafo paraibano tem em mente rodar toda a América do Sul, sempre uma vez por ano. “Vim na ‘mochila’ e com dinheiro contado. O que parece fácil na comodidade da cidade, por aqui, por passo, é luxo”, comentou o fotógrafo sobre confortos básicos como banho ou acesso à internet.

A jornada de Rizemberg deve durar mais um pouco até que ele retorne finalmente para João Pessoa. Sem pena, tinteiro e papel, o fotógrafo paraibano segue contando sua própria saga épica pelas lentes da sua câmera e nas postagens que faz no perfil dedicado exclusivamente à viagem, @camerakombi no Instagram. Autor da própria epopeia, dono da próprio missão, Rizemberg segue na estrada, meio Tolkien, meio Frodo, mas jamais perdido.

G1

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